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20 junho 2011

Recursos Ludicos (2): critérios para escolha




Mencionamos em postagem anterior o valor terapeutico dos fantoches como recurso na psicoterapia com crianças. Porém, contamos com uma gama mais ampla de recursos ludicos indicados para utilizarmos como facilitador da expressão e comunicação da criança com o psicoterapeuta no espaço terapêutico.

O psicoterapeuta iniciante, nem sempre possui clareza a respeito de quais recursos obter, quais seriam os indispensáveis e os irrelevantes, o que demanda o estabelecimento de alguns critérios para obte-los.

Os critérios básicos para a escolha dos recursos lúdicos são: segurança e relevância para a tarefa terapêutica. Por segurança, entendemos recursos de boa qualidade, produzidos com material atóxico, que não sejam facilmente quebráveis, fortes o suficiente para manipulações mais rudes e que não ofereçam nenhum tipo de risco.  Qualquer uso dos recursos que possam colocar em risco a integridade da criança, do psicoterapeuta ou do espaço – uma tesoura para agredir o psicoterapeuta, tinta atirada nas paredes ou ainda um barbante apertado em torno do pescoço - deve ser imediatamente limitado segundo os princípios básicos de apresentação de limites.

Quanto à relevância dos recursos para a tarefa terapêutica, os critérios de aquisição precisam estar focados naquilo que eles podem oferecer como estímulo para a criança compartilhar sua experiência. Ficam vetadas, nesse ponto, escolhas baseadas em necessidades do psicoterapeuta, muitas ligadas às suas próprias frustrações infantis, o aproveitamento sem critério dos brinquedos dos filhos que já cresceram, ou doações aleatórias de parentes, vizinhos ou instituições. Uma especial atenção para a tentação de levar brinquedos ou jogos com valor sentimental (aquela boneca que esteve presente durante toda a sua infância e que agora não tem mais utilidade ou o jogo de gamão que já passou por várias gerações da família.

Não podemos esquecer que os recursos lúdicos encontram-se disponíveis para as crianças usarem da forma como precisam e, por isso, não podem ser alvo de limitações de uso que não sejam as básicas, e nem da disfarçada, porém presente, preocupação do psicoterapeuta a respeito de sua manipulação.

Todos os recursos devem ser de construção simples e fáceis de manejar, para  que a criança não fique frustrada com um equipamento que não consiga manipular. A psicoterapia já fornece por si só diversos elementos frustradores como o término do horário da sessão, o tempo de espera entre uma sessão e outra, a impossibilidade de levar os brinquedos para casa, etc.

Eles devem ser duráveis e construídos para resistir ao uso freqüente. Quanto mais simples, maior a possibilidade de criatividade lúdica. Por esse motivo, brinquedos mecânicos e sofisticados não são sugeridos porque acabam não permitindo múltiplos usos, manipulações e diversificações de significados.

Outro detalhe é a respeito dos recursos que não temos disponíveis, aqueles que as crianças perguntam e/ou solicitam, mas não existem no espaço terapêutico. É preciso partir da constatação de que é impossível ter tudo o que uma criança poderia nos pedir em termos de recursos.

Ainda que fosse possível ter ou providenciar todos os que elas pedissem, esta ação não seria facilitadora para o desenvolvimento de suas potencialidades, de seus recursos para lidar com a falta, com a frustração, com os limites, com a capacidade de fantasiar, de fazer de conta, de solucionar o problema de outra forma, de reparar a frustração e de construir com os recursos disponíveis aquilo de que ela precisa.

Essa talvez seja uma das experiências mais emblemáticas e bonitas da psicoterapia: possibilitar que a criança dê solução à seguinte questão: “como eu posso manipular criativamente o meio para suprir minha necessidade através de caminhos satisfatórios?

Dessa forma, não possuir no espaço terapêutico tudo o que as crianças solicitam, acaba se revelando uma oportunidade para trabalhar inúmeros elementos relevantes no seu processo, uma vez que isso a confronta com o novo, aquilo com que ela não está acostumada, aquilo que a retira de sua “zona de conforto” e, portanto, a instiga em sua fronteira de contato.

Diante disso, é preciso que ela entre em contato com suas potencialidades não desenvolvidas em busca de recursos criativos para lidar com a situação. Não possuir computador ou vídeo game, por exemplo, é uma vantagem se pensarmos que nada poderia ser mais familiar para algumas crianças e , por isso , pouco desafiador.

Não é por acaso que, inúmeras vezes, constatamos que as escolhas iniciais das crianças, particularmente as que se encontram mais enrijecidas e cristalizadas em seus padrões relacionais, recaem sobre recursos que elas conhecem e dominam muito bem, o que faz com que algumas crianças perseverem durante várias sessões na escolha do mesmo recurso lúdico e da mesma atividade, para o desespero dos psicoterapeutas mais apressados. 

O “desafio” que provoca a expansão das fronteiras é experimentar materiais novos, explorar outras funções de contato, buscar outras formas de satisfação das necessidades que não as habituais. É nesse sentido que o espaço é terapêutico. Ele promove transformação na fronteira de contato organismo-meio através do contato, discriminação e assimilação do novo, possibilitando uma reconfiguração dessa relação estabelecida com e no mundo. 

Apesar disso, o critério de aceitação e respeito pela escolha que a criança pode realizar, ainda que isso signifique jogar damas por inúmeras sessões, continua valendo como soberano na condução da psicoterapia, ainda que com intervenções gradativas do psicoterapeuta sempre com a intenção de mantê-la trabalhando “na fronteira”.

Podemos dividi-los em dois grandes blocos, segundo a forma predominante de estímulos fornecidos à criança. No primeiro bloco, temos os recursos lúdicos estruturados que, como a própria expressão indica, possuem uma estrutura prévia carregada de significado consensual e, geralmente, costumam atrair a atenção das crianças exatamente a partir desse significado.

Apesar de mencionarmos que as crianças são atraídas prioritariamente para os recursos estruturados a partir de seu significado consensual, muitas vezes, elas utilizam-nos subvertendo seu uso rotineiro e criando outros sentidos a eles, apontando-nos assim sua capacidade para manipular criativamente o meio para satisfazer suas necessidades.

No segundo bloco estão os denominados recursos não estruturados que, pela sua própria natureza, não possuem uma estrutura prévia com um significado consensual atribuído e prestam-se prioritariamente, à expressão da experiência da criança com atribuição de significados próprios.

Na sequencia, teceremos comentários sobre o uso de alguns desses recursos tal como fizemos com os fantoches, ok?

Você tem algo a acrescentar, alguma duvida, comentário??? Comente!!!!!

4 comentários:

  1. Isso me fez lembrar que muitas vezes o espaço fisico e os recursos são limitados em diversas instituições, mesmo assim o processo criativo de cada um vem como uma caixa de surpresas, uma relação de interação com o meio e possibilidades infinitas de trabalhar com o recurso que cada criança "mágica" é capaz de fornecer.

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  2. Sim!!! Perfeito!!
    Costumo dizer sempre e em postagem anterior falo um pouco disso: os recursos são facilitadores, mas o brincar em si pode se dar de qualquer maneira, a partir da relação de aceitação, permissividade, respeito e confiança estabelecida com a criança.
    Nesse sentido, o psicoterapeuta precisa ser flexivel e criativo para criar seus proprios recursos e aproveitar possibilidades que o local oferece. Algo que pode ser fantastico é a possibilidade de criar e construir brinquedos com sucata (garrafas de iogurte liquido, p. ex, podem virar simpaticos pinos de boliche)pelo proprio terapeuta de forma a "abastecer" o espaço da instituição ou ainda viabiliza-la para as crianças de forma que elas criem o que quiserem!
    Como nosso amigo (ou amiga)disse acima, as possibilidades são infinitas e nisso resulta a noção de saude para a Gestalt-Terapia: a continua possibilidade de criar face ao que o mundo nos oferece!!

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  3. Olá Luciana! Gostaria de saber se você poderia comentar algo sobre o uso da argila no espaço terapêutico!

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