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12 julho 2011

Auto-regulação familiar: a implicação dos responsáveis nos sintomas apresentados pelas crianças



             Sustentados por uma concepção holística e contextual de ser humano, trabalhamos com a premissa acerca da existência de uma vinculação entre diversos aspectos do desenvolvimento  infantil e as mais variadas formas sob as quais as crianças e suas famílias se apresentam na situação clínica, o que inclui seus sintomas, suas reações às intervenções terapêuticas e suas possibilidades e recursos para alcançar um estado de saúde e bem estar.
Entendemos o contexto familiar como um dos particularmente signifi­cativos para o desenvolvimento e funcionamento saudável da criança, uma vez que não só é o primeiro contexto do qual faz parte como aquele que parece ser o mais relevante em seus primeiros anos pelo forte vínculo de dependência existente entre ela e a família, que se apresenta como uma significativa promotora de experiencias cruciais de apreensão e assimilação das  novidades que o mundo vai oferecendo para a criança.
A noção de auto-regulação familiar, ou seja, de que os membros de uma família se influenciam mutuamente, reagem e respondem as expectati­vas e necessidades do outro na busca de um equilíbrio, é fundamental para compreendermos a forma como a criança se apresenta, porque o que vamos perceber é que ela geralmente está servindo como um ponto de equilíbrio para toda a dinâmica familiar.
Sob esse ponto de vista, somente a partir da relação que o sintoma apresentado pela criança estabelece com as demais partes da totalidade mais ampla em que ela encontra-se inserida é que se pode compreender sua origem, seu sentido, sua razão de ser e suas influências e implicações. 
Assim, quando nos referimos à família como um dos principais campos a fornecerem sentido as manifestações da criança, enfatizamos seu papel crucial na vida e no desenvolvimento infantil e, portanto, na eclosão, manutenção e remissão dos sintomas que se apresentam na clínica.
Enfatizamos o binômio criança/família, na medida em que não podemos pensar no desenvolvimento infantil sem a presença marcante do meio familiar, particularmente da mãe ou quem por ventura estiver exercendo seu papel.
O bebê humano nasce completamente dependente e com pouquíssimos recursos para lidar com as demandas do mundo. Por isso, inicialmente, estabelece uma relação de muita proximidade com a mãe, constituindo o que denominamos uma unidade relacional, marcada pela indiferenciação entre o bebê e a mãe. É nessa relação, onde o bebê será cuidado, protegido e alimentado, que ele encontrará a possibilidade de construção e desenvolvimento.
Esse desenvolvimento caminha sempre na direção de uma maior independência e autonomia, na medida em que a criança vai crescendo e ampliando seus recursos físicos, cognitivos, emocionais e sociais e, assim, obtendo uma maior inserção no mundo. A função da família é a de propiciar oportunidades de crescimento, de facilitar a aquisição de recursos próprios da criança e de permitir que a mesma tenha autonomia e responsabilidade compatíveis com sua faixa etária e seu potencial.
 Uma vez que o desenvolvimento é processual e gradativo, constatamos que quanto mais nova a criança, maior a probabilidade de encontrarmos um vínculo mais extenso de dependência e, portanto um binômio criança/família mais acentuado.
A implicação direta dessa característica básica do desenvolvimento humano,  é a de que sempre que lidarmos com crianças, nossos clientes não serão apenas as crianças, mas a totalidade criança/família, onde todos os elementos precisam ser levados em conta para uma efetiva compreensão diagnóstica e, principalmente para uma evolução satisfatória do encaminhamento terapêutico.
Compreender a forma de funcionamento da família é de crucial impor­tância para o gestalt-terapeuta infantil já que ela se apresenta como o prin­cipal campo em que a criança faz parte. Entender sua dinâmica nos permite compreender o funcionamento da criança em questão e estabelecer prioridades de intervenção com os responsáveis ao longo do processo tera­pêutico.
Ao trabalharmos com a criança, passamos a fazer parte do seu campo, promovendo mudanças em seus padrões relacionais e ocasionando desequi­líbrios momentâneos na dinâmica familiar que, se puderem ser vivenciados e superados, promovem o crescimento e reconfiguração de toda família para formas mais satisfatórias de relação.
No entanto, o psicoterapeuta precisa ficar atento para que o impacto na dinâmica familiar não seja maior do que aquele que determinada família pode suportar, realizando seu acompanha­mento ao longo do processo terapêutico de forma a ajudá-la a lidar com as modificações e encontrar caminhos possíveis de auto-regulação mais satis­fatórios.

Um comentário:

  1. LUciana, boa tarde. Sou estudante de psicologia no 7 semestre, e seu livro é um dos que aparece na ementa para funndamentar a prática clínica. entretanto não estou conseguindo achar pra comprar. vc tem idéia de onde eu poderia encontra-lo? Grata pela atenção. Meu email é maristelavallim@gmail.com

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