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12 maio 2013

Ainda sobre o equivoco da técnicas ou como se deparar com situações em que elas não valem de nada






Ao falar sobre o equívoco da primazia das técnicas no processo psicoterapêutico com crianças, destaquei a necessidade de possuirmos uma metodologia e forma de compreensão da relação terapêutica que embase nossas intervenções e crie um contorno para o eventual uso das técnicas, sempre no sentido de desdobrar o material trazido e apontado pela criança na sessão terapêutica, sem "a prioris" do psicoterapeuta.

Conhecer um rico e criativo rol de técnicas nos permite contar com um acervo mais amplo de possibilidades para lançar mão quando necessário e pertinente.

Porém, a clinica psicoterapêutica com crianças apresenta uma série de situações onde a compreensão da totalidade do processo e das relações estabelecidas entre crianças e responsáveis é fundamental para o manejo e encaminhamento das referidas situações.

Um exemplo? Posso dar vários!

Sabe  aquela criança que chega pela primeira vez (ou segunda, terceira, quarta, etc) e não quer desgrudar da mãe nem por um decreto, apesar da insistência,  promessas e qualquer outra coisa que o psicoterapeuta faça?

E aquela que ao ouvir o anuncio de término da sessão, faz-se de surda, inicia uma nova brincadeira, joga todo o cesto de brinquedos no chão, suplica para ficar, comunica que VAI ficar e não sai da sala nem por outro decreto?

Ok, ela entrou, mas cruzou os braços, fechou a boca e permanece amuada num cantinho, ignorando os apelos do psicoterapeuta e todas as maravilhas da sala que ele montou especialmente para esse momento!!!

Ah, sim! E o que dizer da situação onde a criança atende ao apelo do psicoterapeuta a respeito do termino da  sessão, mas pretende sair do espaço levando aquilo que estava brincando para casa? (Imagina se todas as crianças em 1 semana resolverem levar um "souvenir" da sala...!)

E a  situação corriqueira (e devastadora de psicoterapeutas das técnicas) em que a criança nega-se a fazer o proposto pelo animado (ou não) psicoterapeuta e a responder suas intermináveis e incomodas perguntas sobre aquilo que ela está fazendo?

Onde entram as técnicas mirabolantes quando a criança simplesmente "quer brincar" e muitas vezes com a mesma coisa, ignorando solenemente todo o resto da sala que foi comprado na Disney??

E estou exemplificando somente com situações que envolvem diretamente a criança e o psicoterapeuta...

Porque não podemos esquecer que por trás de toda criança tem um adulto que a leva e a mantém ( ou não) em psicoterapia...

O que dizer ( e fazer com) das mães que fazem caras e bocas na sala de espera e nos falam coisas entre os dentes crendo que a criança não esta percebendo?

E com aquelas que nos ligam entre uma sessão e outra para fazer toda a sorte de queixas, revelações e apelos?

E as outras ( ou as mesmas) que nos solicitam ( direta ou indiretamente) alianças contra os pais (geralmente, ex maridos) em tempos de alienação parental?

E as que esquecem (?) de nos pagar, que pechincham o preço da sessão, apesar de seus carros, roupas e bolsas que deixam nossos modelitos de psicoterapeuta-que-senta-no-chão com cara de trapo?

E os responsáveis que ao confundir a criança com um objeto eletrônico  nos exigem que o consertemos em meia dúzia de sessões?

E as exigências e pressões da escola que desejando ardentemente não ter o menor trabalho com aquela criança e desimplicando-se totalmente do que se passa com ela NA ESCOLA, cobram "melhora" e "comportamentos adequados" da referida criança? 

Poderia continuar listando sem parar uma grande variedade de situações pelas quais TODOS os psicoterapeutas de crianças passam, cujo manejo não está baseado na quantidade de técnicas lúdicas que ele possui em seu rol de técnicas acumuladas ( e muitas vezes simplesmente copiadas) a partir de cursos e leituras.

Todas essas situações transcendem as técnicas e demandam do psicoterapeuta raciocínio clinico, conhecimento profundo de sua abordagem e um substancial treinamento clinico supervisionado.

Sim, as técnicas lúdicas são lindas, são fofas e as vezes parecem mágicas. Mas atire a primeira pedra quem nunca passou pelas situações acima e percorreu de 1 a 100 toda a sua listinha de técnicas e chegou ao fim sem saber o que fazer!!!



3 comentários:

  1. Olá, Luciana.
    Tenho muito interesse em comprar o seu livro Gestalt-Terapia com crianças: teoria e prática
    Gestalt. Tem alguma previsão de reedição?
    Aguardo retorno (cbcasagrande@yahoo.com.br)
    Abraços, Caroline

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  2. Caroline

    Ele será reeditado em breve pela Summus Editorial. Divulgarei em grande estilo!! rsrs! Abraço

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  3. A técnica pela técnica, em qualquer contexto, precisa de suporte humano, de acolhimento, compreensão e entendimento, para que se torne algo "novo", útil (talvez!), e coerente, e promova ao cliente (adulto, criança, família, sistema etc.) possibilidades de também criar, pensar, renovar, criticar, e, principalmente, ESCOLHER o passo que vai dar e qual caminho deseja adentrar. Isso tudo é, na minha visão, um grande complexo que transcende manuais e roteiros, e nos torna mais capazes de estar com cada pessoa, sem que abandonemos a nós mesmos. Abraço, com carinho e respeito, de alguém que, só agora, após especial encontro no workshop "Visões do Feminino" veio tomar contato (e virar fã, rs) da "celebridade" Lu Aguiar, rs. Elise (Florianópolis-SC)

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