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02 março 2011

Objetivos da GT com crianças e a ênfase na forma

Se o psicoterapeuta não é um cuidador e nem um solucionador de problemas, qual é então o seu papel?
Entendemos que o psicoterapeuta é um FACILITADOR. Mas o que ele facilita e qual seria então o objetivo da GT com crianças?
Concluimos que o objetivo maior da clinica gestáltica é o de restaurar a capacidade plena de auto regulação da criança, arregimentando seu poder criador e recuperando o curso de seu desenvolvimento saudável no contexto do qual ela faz parte.
A tarefa do psicoterapeuta é facilitar esse processo através do uso de técnicas que permitam que a criança tome consciencia de como ela se interrompe e que promovam a experimentação e construção de novas formas de se relacionar.
Isso nos conduz prioritariamente para a forma de manifestação daquilo que surge e não para o conteúdo fornecido pela criança e particularmente, por seus responsáveis.
Por isso, não nos importa, se uma criança fala daquilo que seus responsáveis apontam como sendo a sua questão ou seus sintomas.
Não precisamos, nem objetivamos que ela mostre através de palavras ou do jogo lúdico seus conflitos familiares ou suas dificuldades escolares, nem nos conte aquilo que sua mãe recomenda na sala de espera ou cochicha por entre os dentes nas suas costas.
O que nos interessa é principalmente a forma como ela traz (ou não traz) isso para a sessão e o que “escapa” muitas vezes de um discurso combinado, reprodutor da fala dos pais acerca do que seriam suas questões e a razão pela qual se encontra naquele espaço.
Assim, a ênfase na forma permite que observemos como ela se relaciona, como lida com situações novas, como usa seu corpo no espaço, como usa sua voz, como se movimenta, se expressa e também como se interrompe.
Em outras palavras, é através da ênfase na forma que podemos observar como as crianças e seus responsáveis constroem suas possibilidades de satisfação na relação com o mundo, bem como se alienam, se interrompem, se dessensibilizam e se imobilizam.
Geralmente, tentativas forçadas de extração de determinados conteúdos das crianças, apontam para um psicoterapeuta preocupado com seu desempenho, que se dá fundamentalmente através de aconselhamentos e persuasões, porque os pais assim esperam, a escola assim exige ou ele próprio julga ser o melhor.


Tal situação é facilmente ilustrada pelo psicoterapeuta que persegue a queixa formulada pelos responsáveis no momento inicial da psicoterapia, fazendo inúmeras perguntas sobre o tema ou ainda propondo situações na sessão terapêutica que estejam ligadas a mesma.
Outro exemplo típico é do psicoterapeuta que valoriza tudo o que for conteúdo apresentado na sessão, mas não fica atento a forma como ele é apresentado, a ordem em que as brincadeiras se dão, as interrupções repentinas, as passagens entre uma atividade e outra, em como a criança convoca a participação do psicoterapeuta, o que ela faz ao ser anunciado o final da sessão, em como ela se despede ou na sua reação ao reaver o responsável na sala de espera.
Ao valorizarmos o conteúdo em detrimento da forma, corremos o risco de nos perdermos nos detalhes das historias, de atribuirmos juizos de valor e significados próprios ao que nos é apresentado e empacarmos sempre que uma evitação neurotica se apresentar no curso da sessão, pois se não trabalharmos a propria evitação ficaremos "brigando" com a criança, insistindo e tentando persuadi-la de desenvolver um conteudo que ela não pode lidar.

Não seria o caso então de utilizarmos essa informação para refletirmos acerca dos casos "que não andam" ou  das crianças "que não colaboram"?

Voltamos a máxima: sabemos o que estamos fazendo? ou vamos responsabilizar as crianças e os responsáveis por isso?
Ihh......

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